quarta-feira, 28 de novembro de 2007


Uma paixão ardente de um dia chuvoso, um dia em que as nuvens cobriam o sol, ao longe, de uma falsa crença que sorria. Distante de tudo, daquele parque escurecido pelo verde petulante de relva molhada.
Uma simples paixão.
As conversas motivadoras, as palavras sentidas sem pronúncia nem entoação, as vidas trocadas por um momento de sedução impossível de impedir. Não queria saber do passado e o futuro não me atravessava o pensamento. Era ali e agora. Um só.
O beijo esperançosamente trocado, o toque sentido sem consequência, a realidade esquecida e impensável. Fizeste crer a possibilidade de não ser como era. Escondeste em ti, sem, no entanto, te esqueceres de mim, a expectativa que queríamos, mas que foste incapaz de abraçar.
Foi um momento, sem momentos.
Vibrantes estrelas abriam estradas de pó fictício, a viagem sem destino mas com um regresso ao nada!
Sou a tentativa esmorecida de ti. Estás tão longe que me cansas, agora. Tão distante que se esquece em mim a tua presença. Tão ausente que não és.
Desapareceste lentamente em pedaços dilacerados nas horas de sentir... Saíste, e eu também!




Disfarço-me assim...

sábado, 3 de novembro de 2007

Não sou o que sou, Sou o que me apetece


Não me consigo ver como quero… Desço a montanha, sabendo que vou voltar a subi-la, mais uma vez, sem me cansar, ou antes, sem pensar no cansaço… Mais um caminho. Mais uma vez.
Vezes sem conta que me perco onde não me consigo encontrar, pelo trilho da conformação sem saber muito bem o quê… Esse trilho que me atravessa o olhar despercebido e me cobre de uma ânsia entorpecida… Noites que me alentam em algo de surreal numa simples estrela que me fixa naquele ponto, e daquele mesmo ponto não me deixa sair… Abdico de sentir, resigno-me a isto.
Já não me fascinas.
A tua delicadeza cega que envolvia a minha mente em pensamentos completamente pérfidos e falsos a mim mesma… O acreditar no impossivelmente desejável, na magia de um beijo de duas partes e um só significado… Para mim. Morre isso em mim. Adormece perpetuamente, naquilo a que chamam “aquele canto do coração”, a vontade de um mundo abarcar duas vidas de universos diferentes… Sei que não. E não consigo entender, mas não me apetece exprimir o que quer que seja… As expressões enganosas já não vão mais tentar concentrar-te. Sim. Deixei-te. Deixei-me.
Viro as costas a tudo o que sei que existe. Tento encontrar-me no que sei que não me fará bem. Única possibilidade, certamente… Não me sinto miserável por saber o que sentir agora… Hoje enquanto percorro as estradas diárias e as calçadas desfeitas sorrio porque uma criança acarinha a mãe, porque uma pomba pousa na mão do carteiro, porque um casal de namorados se apaixona a cada segundo que se olha… Apraz-me ver um cão pular de alegria quando a brincadeira infantil do seu jovialmente idoso dono o faz sorrir… Agrada-me sentir os raios de sol a confundirem-me a vista, despertando as lágrimas contidas de mágoas esquecidas e indiferentes! Gosto de me rir de mim própria, relembrar momentos cómicos que me ultrapassaram… Alegra-me o meu pequeno mundo! Vê-lo-ei a meu bel-prazer!!! Serei a delícia de mim mesma…
Mas não me apetece mais criar a esperança de um futuro afável… Não quero. Sou eu, assim. Sem mais. Sei que a minha passagem está traçada pelas marcas de feridas eternas mas completamente saradas… Sei que jamais admitirei um sorriso dos “seres”…
Paciência não a tenho, amor perdeu-se algures.
Resta-me prosseguir sem me levantar da cadeira… Espero. Alcançar.


Só queria o teu sorriso… E conhecer-te primeiro.