sábado, 1 de setembro de 2007

Gritos De Dentro...



Arranca-me a alma!
Devora-me o peito!
Desprende-me desta ânsia que me afoga em lágrimas escondidas no mais íntimo que há de mim…
Quero-te, hoje e sempre, ainda que seja apenas uma simples noite eterna…


Não te esperava… Apareceste sem avisar… Não vi que as estrelas te anunciavam… Não vi o tapete vermelho estendido publicando o teu regresso…
Não senti o teu cheiro a amor perfumado… Tremi.
Um beijo. Dois beijos. Movimentos bruscos tentando desviar a atenção que pairava sobre mim numa simples forma de dizer “está tudo bem, não se passa nada!” (queria eu convencer-me…). Esplanada cheia, olhares alegres, reencontros, sorrisos, histórias por contar… E eu ali. E tu! Parecia que tudo se movimentava (parecia e acontecia…) e eu, imóvel à tua presença, inerte a mim própria, sorria parada, tremendo-me as pernas de felicidade do teu tão inesperado admirável regresso…

Agarra-me todos os meus ossos…
Força-me a entrar na tua vida, com vida!
Entrelaça-me nos teus braços como se fossem meus…
Bebe-me o sangue que me circula e ferve por te amar!
Grita-me, a mim!!!


Mas foi simples… Normal… Apenas um, dois, três segundos, quatro no máximo... Pareceu-me uma vida… Estranho… Sabia que virias, estava convicta de que seria um dia como todos os outros “olá! Tudo bem? Sim. Pois. Até já.”
Sei lá! Mas não foi… Só queria ter-te, assim… Terias um acto de insanidade consciente, amar-me-ias, e gritarias ao mundo! Mas sonho alto… Atravesso as nuvens e toco num planeta distante que não este… Acorda-me… Não te quero querer, quero-me a mim, só a mim!!!

Adormece-me na tua almofada…
Aconchega-me no teu coração…
Deixa-me sonhar, pelo menos hoje! Hoje que sinto saudade, uma saudade que quase me enlouquece!
Segura-me no teu corpo, não me libertes de ti!!!


Deixa-me de uma vez por favor… Regressaste e ficaste como se fosse apenas uma noite, mais uma noite… E tinhas razão. Sei que não te sou… E tu não me podes ser!
Sei que não somos simplesmente… Vou acordar… Não vou lutar mais… Jamais saberás! Não te vou querer mais, nunca mais…!


AMA-ME!!!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Esquecer quem nunca me lembrou...

Porque não me canso de ti?! O teu sorriso atravessado pelos teus olhos semi bebidos pela cerveja que acompanha a tua mão esquerda… Braço direito por cima dos meus ombros…

Forte. Doce. Protege. Mas foi só ali… Não me bastas.
Esqueço-te em pequenos espaços brancos, mas logo te devoro quando me embalas na nossa antiga magia… Um passado bem perto que não me larga…
Quero-me desprender de ti… Quero que não me cegues mais com os teus olhares traiçoeiros…
Não sou tua amiga. Não posso ser. Não quero ser. Aliás, não consigo ser.
Não me digas que sou, quando sabes que não.
Estou cansada… A noite já não me arma, já não nos une, não nos quer…
Estou cansada de não me cansar de ti…
Apaixonei-me por ti. Mas gosto-me muito mais… Sei que mereço.
Irei.


Apetece-me dizer isto. Porque me apetece... Ainda que as palavras não sejam certas, ainda que o texto não seja uma criação de frases e parágrafos embelezados pelas cores das letras...

São palavras, apenas...


domingo, 15 de julho de 2007

É, ponto.

Está. Sai. Sorri. Bebe. Fala. Fuma. Chora. Ri. Senta. Levanta. Conversa. É.
És. Quem. Foi. Vai. Fui. Será. Dúvida. Confiança. Escondido. Em si. Parece. É. Mas não é.
Relembra. Fala. Sorri. Ri. Dá gargalhadas. Serena. Garra. Não. Hoje. Ontem. Amanhã. Provoca. Seduz. Ás vezes. Provocam. Seduzem. Cansada. Sem paciência. Mesmo.
Gosta. Não gosta. Vai gostando.
Sente. Não sente. Sempre sente.
Mostra. Não mostra. Nunca mostra.
Vive. Alegria. Conversa. Berra. Grita. Reclama. Aceita. Não aceita. É! Assim!
Críticas. Defeitos. Insensível. Fria. Dizem. Qualquer coisa. Como quer.
Mas vive. Bem. Feliz. Tranquila. Paz. Stress. Vai. Senta. Toma café. Fala. Volta a falar. Conversa. Conta. Grita ao mundo. Não precisa, diz! Simplesmente aceitável. Revoluciona. Admirável energia. Muitas críticas.
Ninguem sabe. Ninguém.
Vive, paz. Esconde. Triste.


segunda-feira, 2 de julho de 2007

Suspiros

Memórias momentâneas que estragam a alma. Uma noite ao longe, com as luzes da cidade interpretando o ser o que não ser. As nuvens que espalham um segredo no luar que não se vê. Silêncio. Ofusca o querer, esconde o trépido aperto de seguir. A solidão de mil pessoas e um só corpo. Nuvens negras acinzentadas que denotam uma expressão de horror abandonado no mar escondido no céu sinistramente absorvido pelas luzes. Dói-lhe o ombro, não pesa, não sente nada, mas dói. Está só. Hoje afigura-se uma menor quantidade de pontos amarelos atravessados nos prédios e avenidas. Ninguém está ali, parece-lhe.
Já não lhe apetece mais mostrar o que a atormenta. Deseja apenas gritar ao mundo o que não detém, ou o que não a preenche, há alguns anos. Mas está farta. Segue o seu trilho, com resignação. Mas uma conformidade tão irritante que a suga nas noites sóbrias e solitárias. Na cadeira balança consoante o vento lhe diz soprando ao ouvido o que quer ouvir. É uma criança, uma menina, as suas tranças não querem traçar o futuro, nem lhe querem contar o segredo. Aquele.
Apetece-lhe chorar enfurecida, largar lágrimas pela atmosfera apertada, desapertar-se da calma tranquilizante que as formigas lhe querem dar. Não. Não consegue mais. Não quer. Mas sente que nada pode fazer… E quer.
O ombro pesa-lhe cada vez mais.
Quer paz, a paz dela. No baloiço começa a andar com uma força que a prende e a fixa numa raiva amargurante. Quer saltar para a árvore mais alta e voar. Quer desaparecer na noite. Com as luzes semi-acesas, sem ninguém dar conta (e mesmo que dessem).
Quer causar a sua felicidade nos seus momentos instantâneos. Quer acreditar que ainda é possível, e que ainda merece. Ninguém a vê, ninguém a conhece, e todos a julgam sem se olharem. Ela erra, porque ninguém o faz (...), mas quer encontrar algo, não a deixam. Ela própria não se deixa. Porque não quer o mesmo, quer revelar a magia, voar na imaginação, sonhar com encontros. Acreditar em contos de fadas… É uma Bela que quer o seu Monstro… Mas os monstros não existem. É pena.
A noite abraça o mais estúpido dos pensamentos, dos sentimentos. Isto tudo é tão estupidamente sincero mas grotesco. Está cansada e dói-lhe o ombro. Vai dormir para o terraço e cobrir-se com as estrelas que nem sequer estão lá.
Irrito-me.

Deve ser isso...

Não quero mais saber.
Só sei que estou. Eu. O resto é secundário.
Vou, fazer qualquer coisa, em qualquer lugar, com qualquer eu.
Fui. Cansei disso, disto e daquilo. Já não me interessa.
Sou. Busco. Desencontro. Nego. Desisto. Recupero. Esqueço. Talvez. Nunca.
Ali.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

(Re)Viver!!!

B. Queria que entrasses por aquela porta, como um dia assaltaste (de novo) o sonho pela janela… Deixaste uma doce nódoa que o momento teimou em corromper…
Marcas que entraram e saíram deixando pedaços de ilusões que evitavam evitar o inevitável… Mas não dá, por mais que teimem em me fazer acreditar que desta vez, é a vez.
Não quero mais esgotar palavras em paixões passageiras desinteressantes… Senti o que senti, mas nada mais foi que um pequeno sorriso provável, que nunca será.
Pode o brilho de olhares cruzados fazer renascer algo dentro de mim… Mas jamais será como o teu meigo, compreendido e simples toque. Ainda te vou contar um segredo...
Aquele abraço, naquelas noites de verão… Perdi porque quis. O medo que insistia em me perseguir distanciou-me de ti… Por instantes acreditei que (finalmente) te tinha encontrado como ansiava e sempre tinha ansiado… Eras (e és) tu.
Não conseguiste compreender. Eu compreendi, o teu lado. Não tentaste, sequer.
Mas ainda que tenhas uma estrela cadente, eu não vou fugir mais (as estrelas cadentes caem sobre a terra…).
Sei quem sou. Sei quem és. Para mim. Não vou cessar a luta de algo que nunca consegui entender bem o que era (e será que alguém sabe o que é sentir, isto?).
Vou golpear a minha alma persistentemente, não desisto de um falhanço. Principalmente quando sei que esse falhanço será uma vitória, um dia.
Pode ser demais dizer isto, mas digo, porque o sei, ainda te quero, como sempre quis, apesar de não saber… (Ainda te amo…Desculpa.)
Queria poder vociferar o teu nome como sempre quis e quase pude.

A minha porta está aberta, mas eu vou entrar na tua. Até lá.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Tempo.

Acordo, de manhã, e penso duas, três vezes se me levanto ou se continuo afogada nos lençóis que me prendem a um sono descomunal… Não me apetece dormir, nem acordar.
Vejo as horas, acendo a luz de olhos cerrados, como se tivesse medo que me cegasse, com uma expressão horrorizada daquilo que é mais um dia de estudo desgastante.

O tempo. Relembro. Pedes, constantemente, desculpa, por seres como és (ás vezes). Mas nada fazes, e assim continuas. Não te peço que me olhes e me gostes, nada disso. Mas apetece-me dizer-te, gritar-te, berrar-te ACORDA! Vives numa contínua confusão de vidas entrelaçadas, procuras tudo aquilo que eu própria já procurei um dia. Perdido. Entendo. O tempo.
Apetece-me pegar em ti e ameaçar-te com a vida, não quero que te inundes, mas não te censuro (nem poderia sequer!).
Pequeno… Pequeno que tu és, e pequeno que é o mundo horripilante ao qual te limitas. Podes ter mais, muito mais, eu sei, acredita que sei…

Decido, por fim, levantar-me. (“Não quero ficar com um peso na consciência.”) Depois de um banho propositadamente demorado, de modo a evitar horas desconfortáveis sentada na cadeira dura e nada apelativa (nesta altura, todas as cadeiras são assim), preparo-me e sigo. Phones nos ouvidos, mp3 a tocar; músicas deprimentes ecoam num sopro trépido de chegar ao “nunca mais”…

Como te invejo. Gostava de ter alguém como eu na minha vida. (Não, não é egocentrismo.) Que me gostasse, como eu, mas mais. E, no entanto, fazes-me esmorecer, de cabeça pendurada, balançando na incerteza certa de que não serás, tão cedo. Acorda…Vive, (bem). Não sou anjo. Nem quero ser (jamais)! Refilo-te apenas por amizade, sim. Já não te desperto o visível e inegável. Estou sempre ao teu lado, como dizes. Mas, ocasionalmente, me canso de te ter assim, indefinido, disperso. Desencontrado.

No caminho rotineiro, estrada esburacada, gaivotas pousam num passar elegante de saber quem é, segura da sua certeza bicuda, pescoço erguido, olhar directo, “sou!”.

Tenho a liberdade das asas seguramente assegurada, porque me liberto quando quero. Não me prendo ao sinuoso caminho que não me leva a lado nenhum. Já não me fascina ir por ficar, nem ficar por ir. Vou indo, quando calha, quando a vontade me tortura num suplício simples e humildemente entendido, como bem me apetecer.
Fechei a cortina à tua alma na minha. Encerrei a possibilidade de seres quem sou. Basta cair uma pedra desenganada que me permite antever uma mágoa de prognose, que sei que não. Agora sou eu (apesar de sabermos que nunca deixaste de querer, eu é que quis que não quisesses). És apenas a minha ingenuidade similar ao que fui. A minha criança perdida na raiva de um desamor, que tenta energicamente numa fúria, ignóbil mas perceptível e compreendida, exorbitantemente desmesurada vingar-se numa vida de vidas. Não te vou dizer que perdes com isso, muito pelo contrário. Ganhas. Pelo menos eu ganhei, interpretando mentes completamente dissemelhantes, descobrindo histórias e modos de ser… Cada pessoa é absolutamente única, sabias? Absolutamente, mas com diferenças vivamente desiguais…
Só queria que pertencêssemos ao mesmo ar. Mas os anos mudam, épocas se alteram. “Timings” desencontrados. Mas prometo-te uma coisa, um dia vais ser feliz, tranquilo e pacificamente encontrado na tua vida. Um dia vais ser grande (muito mais), porque és, porque mereces, porque no fundo, bem no fundo, vais sentindo a perda de alguém que te adora desenfreadamente de um modo terno e quer, simples e honestamente, que sejas tu, a ser como és, e como melhor podes ser.

A vida está ali. Basta quereres. Eu quero.

[Sinto falta de te ter como nunca te tive (e não te tive de modo nenhum), quando vais acordar? No fundo, só queria estar contigo... Mas já não tenho capacidade de ser maternamente encarada… Quero ser pequenina, simplesmente. Desculpa. Incompatibilidade mútua. Porventura, um dia.]