quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Desaparecer

Rasgaste todas as palavras.
Feriste tudo o que há em mim.
Amizade traída, empatia desleal, sentimentos corrompidos.
Lágrimas desiludidas por caírem por ti.
Desaparece!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sem,

Uma paixão ardente de um dia chuvoso, um dia em que as nuvens cobriam o sol, ao longe, de uma falsa crença que sorria. Distante de tudo, daquele parque escurecido pelo verde petulante de relva molhada.
Uma simples paixão.
As conversas motivadoras, as palavras sentidas sem pronúncia nem entoação, as vidas trocadas por um momento de sedução impossível de impedir. Não queria saber do passado e o futuro não me atravessava o pensamento. Era ali e agora. Um só.
O beijo esperançosamente trocado, o toque sentido sem consequência, a realidade esquecida e impensável. Fizeste crer a possibilidade de não ser como era. Escondeste em ti, sem, no entanto, te esqueceres de mim, a expectativa que queríamos, mas que foste incapaz de abraçar.
Foi um momento, sem momentos.
Vibrantes estrelas abriam estradas de pó fictício, a viagem sem destino mas com um regresso ao nada!
Sou a tentativa esmorecida de ti. Estás tão longe que me cansas, agora. Tão distante que se esquece em mim a tua presença. Tão ausente que não és.
Desapareceste lentamente em pedaços dilacerados nas horas de sentir... Saíste, e eu também!


Disfarço-me assim...

sábado, 3 de novembro de 2007

Não sou o que sou, Sou o que me apetece

Não me consigo ver como quero… Desço a montanha, sabendo que vou voltar a subi-la, mais uma vez, sem me cansar, ou antes, sem pensar no cansaço… Mais um caminho. Mais uma vez.
Vezes sem conta que me perco onde não me consigo encontrar, pelo trilho da conformação sem saber muito bem o quê… Esse trilho que me atravessa o olhar despercebido e me cobre de uma ânsia entorpecida… Noites que me alentam em algo de surreal numa simples estrela que me fixa naquele ponto, e daquele mesmo ponto não me deixa sair… Abdico de sentir, resigno-me a isto.
Já não me fascinas.
A tua delicadeza cega que envolvia a minha mente em pensamentos completamente pérfidos e falsos a mim mesma… O acreditar no impossivelmente desejável, na magia de um beijo de duas partes e um só significado… Para mim. Morre isso em mim. Adormece perpetuamente, naquilo a que chamam “aquele canto do coração”, a vontade de um mundo abarcar duas vidas de universos diferentes… Sei que não. E não consigo entender, mas não me apetece exprimir o que quer que seja… As expressões enganosas já não vão mais tentar concentrar-te. Sim. Deixei-te. Deixei-me.
Viro as costas a tudo o que sei que existe. Tento encontrar-me no que sei que não me fará bem. Única possibilidade, certamente… Não me sinto miserável por saber o que sentir agora… Hoje enquanto percorro as estradas diárias e as calçadas desfeitas sorrio porque uma criança acarinha a mãe, porque uma pomba pousa na mão do carteiro, porque um casal de namorados se apaixona a cada segundo que se olha… Apraz-me ver um cão pular de alegria quando a brincadeira infantil do seu jovialmente idoso dono o faz sorrir… Agrada-me sentir os raios de sol a confundirem-me a vista, despertando as lágrimas contidas de mágoas esquecidas e indiferentes! Gosto de me rir de mim própria, relembrar momentos cómicos que me ultrapassaram… Alegra-me o meu pequeno mundo! Vê-lo-ei a meu bel-prazer!!! Serei a delícia de mim mesma…
Mas não me apetece mais criar a esperança de um futuro afável… Não quero. Sou eu, assim. Sem mais. Sei que a minha passagem está traçada pelas marcas de feridas eternas mas completamente saradas… Sei que jamais admitirei um sorriso dos “seres”…
Paciência não a tenho, amor perdeu-se algures.
Resta-me prosseguir sem me levantar da cadeira… Espero. Alcançar.


Só queria o teu sorriso… E conhecer-te primeiro.

sábado, 1 de setembro de 2007

Gritos De Dentro...



Arranca-me a alma!
Devora-me o peito!
Desprende-me desta ânsia que me afoga em lágrimas escondidas no mais íntimo que há de mim…
Quero-te, hoje e sempre, ainda que seja apenas uma simples noite eterna…


Não te esperava… Apareceste sem avisar… Não vi que as estrelas te anunciavam… Não vi o tapete vermelho estendido publicando o teu regresso…
Não senti o teu cheiro a amor perfumado… Tremi.
Um beijo. Dois beijos. Movimentos bruscos tentando desviar a atenção que pairava sobre mim numa simples forma de dizer “está tudo bem, não se passa nada!” (queria eu convencer-me…). Esplanada cheia, olhares alegres, reencontros, sorrisos, histórias por contar… E eu ali. E tu! Parecia que tudo se movimentava (parecia e acontecia…) e eu, imóvel à tua presença, inerte a mim própria, sorria parada, tremendo-me as pernas de felicidade do teu tão inesperado admirável regresso…

Agarra-me todos os meus ossos…
Força-me a entrar na tua vida, com vida!
Entrelaça-me nos teus braços como se fossem meus…
Bebe-me o sangue que me circula e ferve por te amar!
Grita-me, a mim!!!


Mas foi simples… Normal… Apenas um, dois, três segundos, quatro no máximo... Pareceu-me uma vida… Estranho… Sabia que virias, estava convicta de que seria um dia como todos os outros “olá! Tudo bem? Sim. Pois. Até já.”
Sei lá! Mas não foi… Só queria ter-te, assim… Terias um acto de insanidade consciente, amar-me-ias, e gritarias ao mundo! Mas sonho alto… Atravesso as nuvens e toco num planeta distante que não este… Acorda-me… Não te quero querer, quero-me a mim, só a mim!!!

Adormece-me na tua almofada…
Aconchega-me no teu coração…
Deixa-me sonhar, pelo menos hoje! Hoje que sinto saudade, uma saudade que quase me enlouquece!
Segura-me no teu corpo, não me libertes de ti!!!


Deixa-me de uma vez por favor… Regressaste e ficaste como se fosse apenas uma noite, mais uma noite… E tinhas razão. Sei que não te sou… E tu não me podes ser!
Sei que não somos simplesmente… Vou acordar… Não vou lutar mais… Jamais saberás! Não te vou querer mais, nunca mais…!


AMA-ME!!!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Esquecer quem nunca me lembrou...

Porque não me canso de ti?! O teu sorriso atravessado pelos teus olhos semi bebidos pela cerveja que acompanha a tua mão esquerda… Braço direito por cima dos meus ombros…

Forte. Doce. Protege. Mas foi só ali… Não me bastas.
Esqueço-te em pequenos espaços brancos, mas logo te devoro quando me embalas na nossa antiga magia… Um passado bem perto que não me larga…
Quero-me desprender de ti… Quero que não me cegues mais com os teus olhares traiçoeiros…
Não sou tua amiga. Não posso ser. Não quero ser. Aliás, não consigo ser.
Não me digas que sou, quando sabes que não.
Estou cansada… A noite já não me arma, já não nos une, não nos quer…
Estou cansada de não me cansar de ti…
Apaixonei-me por ti. Mas gosto-me muito mais… Sei que mereço.
Irei.


Apetece-me dizer isto. Porque me apetece... Ainda que as palavras não sejam certas, ainda que o texto não seja uma criação de frases e parágrafos embelezados pelas cores das letras...

São palavras, apenas...


domingo, 15 de julho de 2007

É, ponto.

Está. Sai. Sorri. Bebe. Fala. Fuma. Chora. Ri. Senta. Levanta. Conversa. É.
És. Quem. Foi. Vai. Fui. Será. Dúvida. Confiança. Escondido. Em si. Parece. É. Mas não é.
Relembra. Fala. Sorri. Ri. Dá gargalhadas. Serena. Garra. Não. Hoje. Ontem. Amanhã. Provoca. Seduz. Ás vezes. Provocam. Seduzem. Cansada. Sem paciência. Mesmo.
Gosta. Não gosta. Vai gostando.
Sente. Não sente. Sempre sente.
Mostra. Não mostra. Nunca mostra.
Vive. Alegria. Conversa. Berra. Grita. Reclama. Aceita. Não aceita. É! Assim!
Críticas. Defeitos. Insensível. Fria. Dizem. Qualquer coisa. Como quer.
Mas vive. Bem. Feliz. Tranquila. Paz. Stress. Vai. Senta. Toma café. Fala. Volta a falar. Conversa. Conta. Grita ao mundo. Não precisa, diz! Simplesmente aceitável. Revoluciona. Admirável energia. Muitas críticas.
Ninguem sabe. Ninguém.
Vive, paz. Esconde. Triste.


segunda-feira, 2 de julho de 2007

Suspiros

Memórias momentâneas que estragam a alma. Uma noite ao longe, com as luzes da cidade interpretando o ser o que não ser. As nuvens que espalham um segredo no luar que não se vê. Silêncio. Ofusca o querer, esconde o trépido aperto de seguir. A solidão de mil pessoas e um só corpo. Nuvens negras acinzentadas que denotam uma expressão de horror abandonado no mar escondido no céu sinistramente absorvido pelas luzes. Dói-lhe o ombro, não pesa, não sente nada, mas dói. Está só. Hoje afigura-se uma menor quantidade de pontos amarelos atravessados nos prédios e avenidas. Ninguém está ali, parece-lhe.
Já não lhe apetece mais mostrar o que a atormenta. Deseja apenas gritar ao mundo o que não detém, ou o que não a preenche, há alguns anos. Mas está farta. Segue o seu trilho, com resignação. Mas uma conformidade tão irritante que a suga nas noites sóbrias e solitárias. Na cadeira balança consoante o vento lhe diz soprando ao ouvido o que quer ouvir. É uma criança, uma menina, as suas tranças não querem traçar o futuro, nem lhe querem contar o segredo. Aquele.
Apetece-lhe chorar enfurecida, largar lágrimas pela atmosfera apertada, desapertar-se da calma tranquilizante que as formigas lhe querem dar. Não. Não consegue mais. Não quer. Mas sente que nada pode fazer… E quer.
O ombro pesa-lhe cada vez mais.
Quer paz, a paz dela. No baloiço começa a andar com uma força que a prende e a fixa numa raiva amargurante. Quer saltar para a árvore mais alta e voar. Quer desaparecer na noite. Com as luzes semi-acesas, sem ninguém dar conta (e mesmo que dessem).
Quer causar a sua felicidade nos seus momentos instantâneos. Quer acreditar que ainda é possível, e que ainda merece. Ninguém a vê, ninguém a conhece, e todos a julgam sem se olharem. Ela erra, porque ninguém o faz (...), mas quer encontrar algo, não a deixam. Ela própria não se deixa. Porque não quer o mesmo, quer revelar a magia, voar na imaginação, sonhar com encontros. Acreditar em contos de fadas… É uma Bela que quer o seu Monstro… Mas os monstros não existem. É pena.
A noite abraça o mais estúpido dos pensamentos, dos sentimentos. Isto tudo é tão estupidamente sincero mas grotesco. Está cansada e dói-lhe o ombro. Vai dormir para o terraço e cobrir-se com as estrelas que nem sequer estão lá.
Irrito-me.